O vazio não é maior, hoje. Permanece igual todos os dias desde que decidiram que ela devia partir. A dor, essa, agudiza-se ainda mais porque exponho a ferida, toco-lhe e remexem-lhe várias vezes durante o dia.
Fomos colocar-lhe flores singelas. Ela gostava muito de flores. Apreciava as suas tonalidades, o seu cheiro, a sua beleza. Dizia-o repetidas vezes.
Apesar de ter sido uma Mulher de fé e profundamente católica, nunca fez o "culto do cemitério" e, talvez por isso, eu não tenha necessidade de ir lá com regularidade para senti-la.
Perdeu a mãe e o pai muito cedo também, avós que nunca cheguei a conhecer. Hoje compreendo totalmente aquele vazio que dizia sentir em relação aos pais, especialmente à mãe. Eu entendia, mas não plenamente, pois a sua morte já tinha sido há muitos, muitos anos. Hoje, infelizmente, conheço essa dor, também sei que quando falar dela à minha filha e do vazio que sinto, ela vai compreender, mas não inteiramente. Gostava muito que se tivessem conhecido aqui.
Não, não vou colocar o texto a roxo ou preto. Não fiz o tradicional luto que se faz em meios pequenos. Não critico quem o faz, mas para mim não faz qualquer sentido, não muda nada, nada, nada. Sei que ela também não ligava a isso, bem como aos enfeites, pedras, ou qualquer outra coisa que se coloca nas campas. Dizia que quando morresse queria apenas uma cruz. Colocámos uma pequena pedra ao cimo, muito simples, com uma inscrição feita por nós. Espero que ela não se importe de não termos colocado apenas a cruz. A minha querida Mãe tinha uma simplicidade admirável.
Fomos colocar-lhe flores singelas. Ela gostava muito de flores. Apreciava as suas tonalidades, o seu cheiro, a sua beleza. Dizia-o repetidas vezes.
Apesar de ter sido uma Mulher de fé e profundamente católica, nunca fez o "culto do cemitério" e, talvez por isso, eu não tenha necessidade de ir lá com regularidade para senti-la.
Perdeu a mãe e o pai muito cedo também, avós que nunca cheguei a conhecer. Hoje compreendo totalmente aquele vazio que dizia sentir em relação aos pais, especialmente à mãe. Eu entendia, mas não plenamente, pois a sua morte já tinha sido há muitos, muitos anos. Hoje, infelizmente, conheço essa dor, também sei que quando falar dela à minha filha e do vazio que sinto, ela vai compreender, mas não inteiramente. Gostava muito que se tivessem conhecido aqui.
Não, não vou colocar o texto a roxo ou preto. Não fiz o tradicional luto que se faz em meios pequenos. Não critico quem o faz, mas para mim não faz qualquer sentido, não muda nada, nada, nada. Sei que ela também não ligava a isso, bem como aos enfeites, pedras, ou qualquer outra coisa que se coloca nas campas. Dizia que quando morresse queria apenas uma cruz. Colocámos uma pequena pedra ao cimo, muito simples, com uma inscrição feita por nós. Espero que ela não se importe de não termos colocado apenas a cruz. A minha querida Mãe tinha uma simplicidade admirável.